sexta-feira, julho 14, 2006

"De que nos serviu falar?"

Amar. Amar mas não querer. Querer mas não amar. Não saber. Estar perdido, confuso.
Ter terror e certeza de perder. Querer mais mas não dizer... Desejar. Saber que gostar. Desejar mas não procurar. Afastar de tudo o que esteja impregnado. Sentir o coração a morrer sozinho.
Pensar. Pensar muito e continuar a não saber.
Esperar? Esquecer? Não saber o que fazer... Ou no fundo saber...
Só ouvir silencio. Perder forças. Voltar a querer mas obrigar a cabeça a obedecer. Não fazer nada. Apetecer... Querer... mas... deixar andar... E não doer por não esquecer, doer por não deixar de lembrar...


"Mas os pormenores, o conjunto de coisas que so estorvam,
que nos azedam a alma, que não nos saem do pensamento,
não se conseguem perceber nem aceitar."

quarta-feira, julho 05, 2006

No sítio onde costumavam encontrar-se já quase ninguém parava.
As ruas que batiam eram outras, perdidos noutras conversas, com outras pessoas.
Por vezes a vida é isto mesmo, a constante mutação que nos impede de ficar muito tempo no mesmo sítio. Não porque nos sintamos hoje mal onde antes estávamos bem, apenas porque há tanto para ver, tanto para fazer...
Mas naquela noite voltou à esquina "deles", recordando todo o muito que lá tinham deixado, e como aprender o que os outros ensinavam fez com que também ele fosse capaz de ensinar algo. Ainda se sentia bem-vindo, mesmo que não estivesse nenhum deles lá para o receber.
Soltou ao vento: "Vim ver-vos, ainda me lembro de vocês!"
E tirando o marcador de preto de ponta grossa, no tijolo vermelho da parede já gasta, por baixo do desenho de um girassol onde se lia "Para a K8TYE, do Adão, com amizade.", e dum sol com o nome "Tomás" escrito, deixado pela mãe babada, deixou também ele a sua mensagem, e partiu.

"O Camilo passou 5 minutos por aqui", lê-se ainda hoje.

"E vai voltar a passar", não escreveu, porque não sabe quando...